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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Caio? Que Caio?

Daí eu fui levar o Lucas na Piscina, como faço toda terça e quinta-feira.

Na hora do banho, estou eu com o Lucas no vestiário, e chega uma mãe, com seu filho. E começa a ladainha:

“Caio, oi Caio"

Eu de costas…

E ela:

"Caio, tudo bem com você?"
"Ué, o Caio não fala comigo!!!"

 

E eu:


*"Você tá falando com meu filho?"

Ela:

“ÉEeee, o Caio"

Eu, já com MUITA PACIÊNCIA:


”Não, o nome dele é Lucas"

E ELA:


"TEM CERTEZA????"

Eu, MEIO SURTADA:

ACHO QUE TENHO, já que escolhi o nome dele quando ESTAVA GRÁVIDA de 4 meses!!

Olha, viu…

domingo, 8 de maio de 2011

Dia das Mães

Recebi hoje, do meu amigo Luiz Ehlers, um texto que me emocionou MUITO!

O Luiz tem uma sensibilidade muito grande em relação à nossa luta constante com o autismo. Sempre está pronto para nos apoiar.

Hoje o chamei no msn, já reclamando da falta de uma mensagem me felicitando pelo dia das mães. Essa foi a resposta dele:

As palavras que não saem

Por Luiz Ehlers

Dizem que não existe força maior do que a que une uma mãe ao seu filho...

Não importa quantos problemas temos, a nossa mãe sempre nos protege...

Acho que ser mãe é isso, é meio que uma entrega de alma a outra pessoa...

Ser mãe é colocar a sua vida atrás da de outro ser e lutar por ele, sem esperar absolutamente nada em troca...

Ser mãe é talvez o maior de todos os amores...

A mãe é uma guerreira natural, possivelmente a maior de todas, eu mesmo não tenho dúvidas disso...

Elas são seres capazes de mobilizar o mundo a favor do filho, para que ele não sofra, para que os outros não possam nos machucar...

A mãe de uma criança autista talvez seja uma guerreira maior do que as outras, pois o seu poder de amor tem que atravessar um muro mais espesso, mais tortuoso que as outras...

Travessia essa que muitas vezes nem mesmo o pai consegue, mas ela sabe que precisa conseguir e jamais se sente vencida ou incapaz de enfrentar esse desafio...

Se ser mãe é realmente guerrear, a mãe de um autista é uma das maiores guerreiras e a prova de que o amor não pode ser barrado por muros, preconceitos, ideais ou religiões.

Mesmo sem falar, estas são as palavras que o meu olhar significa. Espero que ela perceba isso, claro que percebe, afinal ela é a maior de todas as guerreiras e o amor não precisa palavras, precisa existir...

Preciso falar que estou chorando? S2

sábado, 2 de abril de 2011

Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo

Boa tarde, genteeee!! \o/

image

Hoje é comemorado em todo o mundo o “Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo”, data que foi criada em 2008 pelas Nações Unidas (ONU) para alertar e conscientizar a população sobre o assunto.

Por que saber mais sobre o autismo?

A ordem do dia é CONSCIENTIZAÇÃO! Muitas pessoas não sabem o que significa o autismo e como se comporta um individuo autista.

O autismo é um transtorno global do desenvolvimento. O individuo autista tem dificuldade na comunicação e não compreende a linguagem figurada. Como mãe de um, enxergo a doença como uma forma diferente de viver a vida. A ideia desse dia é que haja uma proliferação do tema para que os preconceitos sejam quebrados. Dica: nunca use o termo “autista” ou “autismo” de forma pejorativa, para “ofender” um colega antissocial; isso só dificulta nosso trabalho em desmitificar o tema.

De que forma posso ajudar com essa conscientização?

Hoje, vista-se de azul. Em vários locais do mundo, monumentos serão iluminados com a luz azul, que é a cor que simboliza esse dia. Em alguns locais também estão sendo entregues fitas azuis, use-as e se alguém lhe perguntar por que, responda e conscientize a pessoa sobre o assunto. O ordem do dia é propagação de informação sobre o tema!

Hoje, o Brasil possui 2 milhões de autistas, vamos nos juntar e dar voz a eles!

Eu sou a Alba, mãe do Lucas, um autista 15 anos lindo e cheio de vontades e personalidade! Se quiser conhecer mais sobre o tema, já fiz algumas resenhas de livros que abordam o assunto, basta clicar AQUI.

autismo

Para mais informações me siga no twitter ou faça questões no formspring. Estou aberta para qualquer tipo de dúvida! Qualquer dúvida mesmo. A notícia do autismo quando chega é difícil de aceitar, mas com o tempo você percebe que é apenas diferente do que estamos acostumados. E o diferente não é ruim, devastador, ou motivo de depressão... O diferente só é isso: diferente.

http://twitter.com/#!/AlbaMilena

http://www.formspring.me/AlbaMilena

Playlist:

Israel Kamakawiwo’ole – Somewhere over the Rainbow

domingo, 30 de maio de 2010

Chega a Copa e nada do fim da Quaresma =s

Por que quando as coisas estão perto do fim, parece que pioram exponencialmente?

Como quando se espera um dia inteiro pra um encontro, e a última hora é a que traz mais agonia... Ou quando se planeja uma viagem os meses passam, mas a última noite, a noite que precede a viagem é agonia pura...

A noite antes de uma cirurgia plástica muito desejada... O final da gravidez e a espera por finalmente conhecer a carinha do "safado (a)" que teimava em enfiar os pés por baixo da sua costela...

E aqui em casa são os 10 dias que precedem o exame de sangue do Lucas... 30 dias passaram razoavelmente, mas esses últimos 5 não foram fáceis, e faltam mais 5!!!

Agonia pura, permeada por noites mal-dormidas, vidro de janela quebrado, beliscões, mordidas, falta de atenção, gritaria... Paciência zero.

Triste ver a falta que a medicação está fazendo, e mais triste ter a consciência de que não poderemos voltar a usá-la...

E seguimos entoando o mantra: Paciência, não é culpa dele! Paciência, não é culpa dele! Paciência, não é culpa dele! Paciência, não é culpa dele! Paciência, não é culpa dele! Paciência, não é culpa dele! Paciência, não é culpa dele!....................................................

quarta-feira, 26 de maio de 2010

40 dias ou Quarentena ou Quaresma... Ah! Chame como quiser.

E veio a proposta:

"Vamos parar com a medicação pra ver se é ela que está dando todo o problema. Peço quarenta dias. De preferência sem tomar nada. Só o anticonvulsivo."

Nossa resposta:

"O que são quarenta dias? Bora! Remédio pra controlar ansiedade e sono? Ná... Somos fortes, guentamos o tranco! \o/"

A voz da razão fala na madrugada:

"Tolos, idiotas, imbecis... Agora guenta. Não dorme? Agora GUENTA!"

Sem mais.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Educação Muito Mais que Especial

Segue aqui, na íntegra o texto que foi pro Jornal Impresso no dia 1 de abril e pro site no dia 5 de abril de 2010.
A Camila conseguiu qua a matéria fosse colocada da forma como já tínhamos visto antes por aqui! Adorei!
Graças a corrente que fizemos no twitter e por e-mail, a matéria alcançou no dia 5 de abril o patamar da "mais visitada" no setor de "Cidades".

Muito obrigada a todos que ajudaram, obrigada à Camila por ter escrito a matéria de forma tão linda, a Adriele por ter me apresentado a Camila e obrigada a Tata, que formatou toda a matéria para mandar por e-mail!! =)



EDUCAÇÃO MUITO MAIS QUE ESPECIAL
Por: Camila Galvez (camila@abcdmaior.com.br)

A luta de uma mãe para obter bolsa de estudos para o filho autista na escola onde ele já está adaptado

A porta branca decorada com mãozinhas coloridas feitas a guache se abre. Lucas Marchesini Milena caminha hesitante, o olhar sem fixar ponto específico. Veste bermuda azul-marinho e camiseta branca do uniforme da escola. Nos pés, em vez de tênis, o jovem de 14 anos usa um sapato tipo crocs de plástico azul. Apesar de não olhar diretamente para mim, Lucas vem em minha direção e senta-se na cadeira de plástico ao lado. Todos na sala começam a rir, e eu acompanho.

- Mas esse Lucas é um danadinho mesmo, ele gostou de você!

Alba Regina Marchesini Milena é mãe de Lucas e está sentada ao meu lado também. Olho para o garoto e logo sai o cumprimento:

- Oi!

Ele, porém, não responde. Sequer direciona o olhar para mim. O comportamento não é falta de educação: Lucas é autista e não fala. Estuda no Núcleo CrerSer, em São Bernardo, especializado em atender crianças, jovens e adultos com déficits intelectuais dos mais variados, entre eles o autismo. Alba e o marido, Eduardo Martiliano Milena, pagam mensalmente R$ 740 pela educação do filho. Apenas Eduardo trabalha, prestando serviços de consultoria.

- Minha profissão é ser mãe do Lucas.

Questões financeiras - Alba e Eduardo estão “apertados” financeiramente, pois o filho também depende de outros tratamentos de saúde, além da educação especializada. O autismo é uma síndrome caracterizada por desvios de comunicação, atenção e imaginação. É mais frequente em meninos do que em meninas, e os primeiros indícios ocorrem antes dos três anos de idade. Os autistas têm dificuldades de interagir com as pessoas, possuem comportamentos estereotipados, obsessão por partes de objetos, inflexibilidade em quebrar rotinas, problemas na dicção, ausência ou pouca expressão facial e podem ser agressivos. (Fonte: http://www.brasilescola.com)

No Estado de São Paulo, há determinação da Justiça, datada dos anos 2000, de que o poder público deve garantir bolsa de estudos e tratamento para autistas. A Secretaria de Estado da Educação tem credenciadas mais de 30 entidades educacionais especializadas, nas quais atende cerca de 350 pessoas com autismo em grau mais elevado. Em São Bernardo há quatro delas.

Alba ficou sabendo da sentença que favorece o filho na escola em que ele estuda. No entanto, tenta há quase um ano garantir o que é seu por direito. É o que ela me conta antes de Lucas vir para a sala em que estamos, a fim de posar para a sessão de fotos que ilustrará a matéria.

- Quando entrei com o pedido na Secretaria de Educação, a resposta veio em torno de 20 dias, já encaminhando o Lucas para uma escola que não tínhamos escolhido. O Estado manda todos os estudantes do ABCD para essa escola.

Alba refere-se à GAPI (Escola de Educação Especial de Ensino Infantil e Fundamental), localizada em São Bernardo.

Questões de adaptação - Mas por que a mãe não quer que Lucas vá para a GAPI? É fácil imaginar: o jovem estuda há mais de um ano na mesma escola. E autistas têm problemas de adaptação. Lucas apresentou alterações recentes quando mudou de casa com a família, e chegou a ter convulsões.

- No começo deste ano letivo, ele também teve dificuldades para se adaptar aos novos professores. Ele ficava agitado, não queria vir para a aula. Mas as professoras daqui têm especialização na área e sabem lidar com esses casos. Agora ele está mais tranquilo.

A questão da adaptação seria realmente um problema? Para tirar a prova, resolvi ligar para a GAPI e marcar uma visita. Quem me recebeu, com um sorriso e cheia de pulseiras, brincos e colares balançantes, foi a diretora clínica da instituição, Gilda Pena de Rezende. As escolas se parecem. Apesar da GAPI ser maior, em ambas há dois professores por sala de aula para cerca de oito alunos, e todos têm especialização na área.

Gilda faz questão de enfatizar seu currículo: é neuropsicóloga e já trabalhou no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Foi pioneira na educação especial em São Bernardo. Diz que o Estado a escolheu pela qualidade da instituição que gere. Pergunto, então, se acha que os autistas teriam dificuldades de adaptação ali. A resposta me surpreende:

- Sim, eles teriam, até porque é uma característica da síndrome. Pais já me procuraram dizendo que adoraram a minha escola, mas que não querem tirar seus filhos, já adaptados, do local onde estudam. Eu digo que tenho certeza de que eles se adaptariam aqui também, mas claro que isso leva tempo.

Alba, profissão mãe do Lucas, não está disposta a isso.

- Quero manter meu filho aqui. Imagina a dificuldade para mudar o Lucas de escola? Vou entrar na Justiça para garantir o direito dele de estudar no lugar que escolhi.

Alba me lembra uma leoa, capaz de fazer tudo por sua cria. Pode parecer clichê, mas é essa a imagem que me vem à mente. Por estar disposta a tudo, é possível que a mãe consiga garantir um direito previsto em determinação judicial, mas não sem muita luta.

A última questão - Lucas assobia. Pega a tinta guache amarela e colore uma borboleta com a ajuda de uma professora. Estala a língua. Mesmo sem se comunicar, está feliz. Para que, então, tirá-lo dali?


Fonte: Jornal ABCD Maior

quarta-feira, 24 de março de 2010

Vamos fazer um Abril azul em prol do Autismo!


Estava eu, navegando pela net quando encontrei um blog de uma amiga minha virtual. Entrei, me interessei e vi essa campanha que repasso pra vocês agora:

Copiei aqui as palavras dela (tudo bem Simone?!), bora ajudar?!



Texto retirado do blog do Gábi:

Coisas que vc pode fazer para ajudar na conscientização do autismo:

1 - Usar o pin azul com o desenho de uma peça de quebra cabeça durante todo o mês de abril e qdo as pessoas perguntarem explicar sobre o autismo.

2- Mudar as fotos do orkut e perfil no twitter ou facebook com a peça azul do quebra ou com o logo da campanha light it up: Blue e repassar para amigos.

3- Digitar todos os seus emails em AZUL e colocar o logo Light It Up Blue na assinatura durante todo o mês de Abril.

4- No dia 2 de Abril vestir uma peça de roupa azul, camiseta ou calça e pedir pra seus amigos, familiares ou colegas de trabalho pra vestir também e tirar fotos e repassá-las. Se possível colocá-las nas galerias do Flickr, orkut, twitter, facebook.

5- Cozinhar um bolo com o desenho da peça de quebra-cabeça Azul, preferência todo em azul e levar para escola, trabalho e dividir com seus amigos explicando o motivo.

6- Igrejas, Congregações, avisar aos responsáveis para que falem do dia em seus Cultos, Missas e Celebrações, etc.

Existem várias maneiras de participar! O importante é fazermos nossa parte para divulgar o máximo para conscientização e um futuro melhor para os nossos pequeninos!



Amei a iniciativa e estou dentro! E vale lembrar que a matéria que a Camila postou aqui (não sei se dessa mesma forma) sai no Jornal ABCD Maior no dia 2 de abril!!

segunda-feira, 15 de março de 2010

95 dias muito bem aproveitados.

Passamos várias horas, dias, meses (sim meses, já tive a pachorra de contar...) de nossas vidas sentados em cadeiras de consultórios de terapias, à espera do Lucas. Façam as contas: são 4 horas (aproximadas) de terapia que ele faz por semana desde os 3 anos de idade. Hoje ele está com 14 anos, ou seja, são 11 anos de terapia - tá me acompanhando? Então darei seguimento:
São 95 dias de Cadeira!! Já imaginou? E olha que são cadeiras das mais variadas! Cadeiras duras; cadeiras que machucam o calcanhar; sofás confortáveis; bancos baixos; bancos altos... Olha. Já me sentei, bordei, li, ri, conversei, tive crise de pânico (ôpa!) em tudo quanto é tipo de assento!

Várias pessoas já me acompanharam nessas salas de consultórios! Na primeira consulta, quem me acompanhou e segurou minha mão foi a Guiga. Primeiro contato com uma psicóloga para falar do filho possivelmente autista não é fácil. E foi ela que esteve ao meu lado. Perguntando quando me faltavam palavras. Me apoiando na decisão e na escolha.

No início das consultas foi a minha mãe. Não reclamava; cobrava e perguntava. Era minha voz quando eu ainda não a tinha. Até o dia em que criei vergonha na cara (já falei sobre isso) e tirei minha carta. Durante uns 3 anos minha companheira foi a Adriele, eita anos divertidos! Cantando Teddy o polvo, acelerando na Dom Pedro I com o carro salsinha após uma chuva de granizo (#piadainterna ). Entremeada nesses anos estava a Aurinha. Não ia tanto, mas ia! Tinha uma paga pra sua companhia. Eu chegava e vinha a frase: "Trouxe pão?!" Ao que eu respondia: "Sim! Bora acordar e sair?!" Seu sorriso era certeiro e a companhia maravilhosa! Mas elas cresceram, criaram asas... Voaram para longe de mim. E fiquei sozinha nas cadeiras por um tempo.

Até que o Edu foi trabalhar em Americana (meses sombrios, de muito choro, filmes na madrugada e saudades... saudades... semanas infinitas).
Aí meus companheiros na terapia eram a Ana, o e meu afilhado, o Guigui. Que delícia! Guigui começando a andar, Guigui começando a falar, Guigui chorando na ida e na volta... Mas ganhando o coração de todo mundo que passava por nós. E que disposição! De um cunhado que se recusava a fazer horas extras nas quintas-feiras, pra ficar disponível e nos acompanhar. E olha que não eram só flores!! Bateram no carro dele dentro da estacionamento e ele nunca, NUNCA me xingou. Me acompanhou na outra semana com o mesmo bom humor de antes. E disposição de uma irmã que sabe ser A Irmã mais Velha! Doação define! Precisa? Ela tá lá!!

Mas chegamos ao ponto. Me desculpem todos aqueles que já me acompanharam nessas tantas cadeiras/bancos/sofás. Ele voltou de Americana! E voltou disposto a não perder essas horas ao nosso lado. Disposto a não perder essas horas/dias/meses ao meu lado, sentados nesses assentos. E que companhia! Já abrimos figurinhas da copa, tomamos café, comemos salgados, rimos, NÃO tivemos crises de pânico, conversamos, namoramos, trocamos confidências. E vimos nosso menino crescer, florescer. Se tornar esse adolescente lindo que é hoje.

Foram, aproximadamente, 95 dias, até hoje. E, pra quem acha que acompanhar um filho/sobrinho/neto até a terapia é um tempo jogado fora, dê uma boa lida no texto aí em cima e veja como uma companhia pode marcar uma vida.

Tá, tá... Vou tentar ser mais divertida na próxima vez. Ando meio sentimental. Me entendam. E lá vai mais uma dele, bem no alvo! Buscando seu amor:

sexta-feira, 5 de março de 2010

Quando se depara com o Preconceito.

Esse post já foi escrito e reescrito bem umas quatro vezes...


Pra mim, é muito complicado escrever sobre isso e eu tenho que remoer muito o assunto antes de conseguir colocá-lo assim, preto no branco.

O Lucas vai ter que passar esse ano por dois procedimentos, não quero expô-lo aqui e explicar os pormenores das cirurgias... Quem conhece a gente sabe do que eu tô falando.


Uma delas é estética. Puramente estética. Mas é uma coisa que incomodaria qualquer outro menino na idade dele. Sem sombra de dúvidas.


Pois bem, vamos aos fatos.


Na quarta-feira fui à endocrino dele, com o resultado dos exames, já esperando a liberação para as cirurgias.


Qual não foi meu espanto com a resposta da dita cuja:


"Mas por que fazer a cirurgia? Ele não entende! Não está atingindo o psíquico dele. Se fosse uma criança que estivesse incomodada com isso..."


Olha... Fervi! E quem me conhece sabe que quando eu fervo eu fico toda manchada de vermelho. Pois naquele momento eu me transformei no Hellboy.



Entendam que há situações em que eu sou extremamente passiva (como já disse aqui antes), mas quando mexem com meu menino... Ah... Não faça isso! Confusão na certa! Me desce a Rosana/Guiga (vocês não conhecem as peças...) e saiam de baixo.

Falei pra médica se ela tinha consciência da dificuldade que a gente passava, com todo mundo olhando esse jeitinho meio esquisitão que o Lucas tem, que não era porque ele aparentemente não entendia as coisas, que não sentiria as pessoas apontando e rindo dele. Que mesmo sendo um procedimento estético ele ia SIM realizá-lo. Ora... Se eu pensasse assim, deixaria o Lucas mal arrumado, afinal pra que comprar roupas novas? Deixaria o Lucas com o cabelo mal cortado, afinal, ele não se importaria com os cabelos longos ou curtos...

Nesse momento passei de mãezinha para Alba. A Dra. arregalou os olhos e tentou se explicar, me pedindo até julho pra ver se ela resolvia o problema sem a intervenção. Saí de lá dizendo que ia conversar com a cirurgiã e o neuro e ouvir a opinião DELES.

Não existe nada mais sem preconceito do que o preconceito. Ele atinge tudo e todos, basta estar aberto para ele...

Nossa obrigação é lutar contra. E se mexerem com meu menino, eu vou estar sempre na linha de frente, pronta para a batalha.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Menininho Antissocial.

Levo o Lucas em terapias desde os 2 anos de idade. No início, quando eu ainda não dirigia (sim... tenho vergonha de admitir isso!) minha mãe que ia comigo.


Enfim criei vergonha na cara e tirei minha carta. Minha companheira de aventuras motorísticas nessa época era a Dri (a mesma do blog pondo ordem na casa). E como nos divertíamos! Tardes pela Av. Goiás e Dom Pedro II inesquecíveis!! Rir era nosso passatempo, na época ela tinha 13, eu já estava com 23, mas me sentia com 10, então tava tudo em casa!!


Mas vamos ao ponto, chega de nostalgia.


Certa vez, estávamos saindo da clínica da psicóloga do Lucas quando encontramos uma mãe, que já era nossa amiga, entrando com o filho que se tratava lá. Nesse dia ela vinha acompanhada da filha mais velha.


Eis que paro pra conversar com a mãe e a filha tenta se aproximar do Lucas. O Lucas se encontrava no auge do "não chegue perto de mim", muito comum em autistas. Aí a garota me lança a pérola:


"Que menininho antissocial!!"


HELLOOOOO!! Ele é autistaaaa!! Antissocial Defineeee!! Ou você pensa que ele está em tratamento porque eu gosto de vir passear por aqui?!


Tá... Não falei nada disso. Só olhei pra menina horrorizada. E a Dri ficou com uma cara de "cêcheroucocôminina?"


Rimos disso até hoje!


Lucas de novo! Tenho um plano, perceberam?! Amor na certa!!

Coisas que só um Lucas faz pra você!

Imagina a cena. Renner. Sábado. Lotadaaaa! Lucas com 2 anos. Pedindo colo. Eu ignorando. Lucas baixa minha tomara-que-caia. Alba pelada no meio da Renner. Simples assim!


Foto do Lucas com oito anos pra vocês se apaixonarem:


Outra que só com o Lucas, mesmo:


Edu e Lucas no área de diversões de um shopping, (não vou falar qual... Vai que a pessoa entra no blog e lembra da história...) Lucas (então com quatro anos) no colo do Edu, só olhando o povo passar.


E passa um careca. Carequinha com a cabeça lustrosa! Lucas não pensa duas vezes. Tasca um tapão. Edu finge que não é com ele e sai de fininho. Coisas que só um Lucas faz pra você!


sábado, 30 de janeiro de 2010

Coisas que irritam

Existem coisas extremamente irritantes em ser mãe de uma criança especial.

Uma delas é a posição das pessoas, as bobeiras que temos que ouvir quando descobrem que temos uma filho com necessidades especiais:

a) Aproveita esse presente pra crescer espiritualmente! Só pelo fato de ter um filho assim, sua vaga no céu já está garantida.
Acredito que qualquer mãe tem trabalho com o filho, independente do fato dele ser ou não portador de necessidades especias... Então, ninguém tá com a vaga garantida, não! Vai crescer você espiritualmente!

b) Tadinho, tão lindo...!
Tadinho do seu por ter uma mãe tão limitada. Tadinho do seu que não tem tudo que ele tem. Ele vai a escola, faz as terapias, é amado e tem o plus de ser lindo! *_*

c) Muito difícil... Nem imagino como vocês aguentam!
Essa com certeza é a pior! Como assim não sabe como a gente aguenta? É MEU FILHO! Não tenho que aguentar nada, tenho que AMAR, cuidar, educar, fazer com que ele se torne a melhor pessoa possível. A mesma obrigação que você tem com o seu, ué!

Pequeno desabafo. Leiam e levem pra vida. Mãe é mãe de qualquer jeito. Não é mais nem menos. Uma mãe não depende da condição do filho pra ser melhor ou pior. Mãe é mãe. Simples assim.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Psiquiatra

O diagnóstico veio quando o Lucas tinha 5 anos. Foi feito dentro de um elevador, após 10 segundos de "consulta". AUTISMO. Assim, na lata. Ela estava certa. Ele é autista. Mas o que disse depois me causa um ódio profundo até hoje quando me lembro!

"Larguem todas as terapias, tenham outro filho pra poder cuidar desse quando vocês faltarem. Parem de gastar com ele. Ele vai ser, no máximo, treinado. Como meu cachorro, que eu treinei pra pegar meus chinelos."

Chuuupaaa Dra.!!! Ele é carinhoso! Entende tudo o que falamos e mostra sua própria opinião! Se vira sozinho quando tem fome! Toma banho sozinho! Vai ao banheiro sozinho! Sorri e demonstra entendimento nas brincadeiras!

E é amadooo!! Coisa que a dra. não dever ter sido! Porque, tentar tirar as esperanças de um pai e uma mãe assim, dentro de um elevador, demonstra uma total falta de responsabilidade e um total desprezo pelo sentimento do próximo.

Tá, a dra. estudou muito pra chegar onde chegou. Mas ninguém tem o direito de condenar uma vida assim, agindo como se estivesse baseada em pilares sólidos. Nem mesmo a dra., armada de todos os seus diplomas.

Chuuupaaaa!!!