Estava eu em reunião (cof) do meu outro blog (o Psychobooks, entrem lá, tá cheio de promos!), com a Pâm e a Tata. Pam, soltou uma das suas pérolas. Vou dividir aqui com vocês:
Pam diz: cara, Hoje no trabalho, quase todo mundo que eu parava pra conversar reclamava de prisão de ventre.
Depois das risadas costumeiras fiquei pensando no assunto. Por que tem gente que tem essa imensa necessidade de compartilhar os mínimos detalhes de suas vidas com qualquer pessoa? E quando eu digo qualquer pessoa, quero dizer qualquer pessoa MESMO. Não importa se é um desconhecido na fila do banco, no ponto de ônibus ou sala de espera de um médico. O negócio é compartilhar, se abrir. Contar tudo.
Tenho marcado em minha memória, dois episódios pra lá de constrangedores. O primeiro aconteceu na porta de uma escola que o Lucas frequentava. Uma mãe de aluno que nunca tinha dado bola pra mim, nem sequer trocado uma única palavra, vira e solta:
"Tô cansada de trocar sexo por trufa!"
O marido da dita-cuja não "comparecia" há meses. E não, ele não era movido a trufas. Ele não esperava uma trufa em troca de favores, digamos assim, hum... Deixa pra lá... Ela que pra descarregar a líbido se jogava no chocolate. Eca.
A outra aconteceu na sala de espera do meu urologista. Em 2005 tive uma crise renal brava. O médico descobriu que tenho um rim defeituoso, por isso sinto dor de vez em quando... Mas chega! Olha eu! Já tô compartilhando demais!!
Uma mulher aparentando uns 30 anos sentou-se ao meu lado. Nessas ocasiões, sempre levo um livro comigo, exatamente pra espantar esses tipos de confidências desnecessárias. Com aquela não teve jeito. Ela começou a falar sem ao menos ligar para minha leitura. O negócio foi fechar o livro, e pagar a penitência.
A partir daí o que se seguiu foi digno de um filme de terror. Tenho um problema sério. Tudo o que me falam eu imagino. A imagem aparece na minha mente e lá se vai o almoço e o jantar... Na história da mulher trufada, até hoje, a imagino toda suja de chocolate, comendo uma trufa atrás da outra. Mas com a mulher da sala de espera a cena descrita (e imaginada) foi pior:
"Tô com infecção urinária. Mininaaaa! Uma dor!! Nem queira saber! Dormi a noite inteira, inteirinha mesmo, segurando a dita-cuja. Com a mão assim, em concha, apertando bem pra amenizar a dor..."
Até hoje a imagem daquela senhora distinta me vem a mente. Sério. Se eu a encontrar na rua, sou capaz de reconhecê-la de tão vívida que é a lembrança. Mas se ela estiver com o passo meio apertado, é melhor correr. Ou serão mais anos de trauma...
quinta-feira, 29 de abril de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Maria e sua Companhia.
Vamos chamar essa pessoa de Maria. Maria é um personagem real. Ela existiu e fedeu em minha vida por seis meses. Sim você leu bem. Ela fedeu!
Maria estudava comigo. Não éramos muito chegadas, mas conversávamos de vez em quando. Nunca tive coragem de falar a verdade na cara dela. Ela já chegava à aula fedida, cheirando suor, mesmo quando estava com o cabelo molhado, o que provava que tinha acabado de sair do banho.
Mas não era qualquer cheiro não, meu povo. Era O CHEIRO. Cebola com um cheiro de passado inexplicável. Praticamente uma entidade que assombrava Maria. Aonde Maria ia a Entidade a acompanhava, fazendo com que todos ao seu redor torcessem o nariz e ficassem respirando pela boca. Um terror.
Nessa época era moda comparecer às domingueiras toda semana. Eu sabia todos os passinhos, já tinha meus paqueras regulares. Ansiava pelos domingos.
Foi quando o The Cure lançou a música "Friday I'm in love". Virou febre! Considerava aquela A minha música (apesar de não entender o que a letra dizia). Tinha que aprender a letra e arrasar na próxima domingueira. Cantar a letra aos berros, impressionar os paqueras e os amigos com o meu inglês afiado.
Passamos - eu e minha amiga Luciana - a semana inteira decorando a letra. Domingo chegou, e lá fomos nós, toda lampeiras prontas para a hora do show. Ia ser um arraso!
Dançamos todas as músicas, acertamos todos os passos. Ah! Naquele domingo não tinha pra ninguém! Estávamos impossíveis! Maria estava lá também, e como sempre, a Entidade a acompanhava. Aquele dia a Entidade estava inspirada. Dava pra sentir o fedor há metros de distância. Pobre Maria...
E começou a música. Minha música. A MÚSICA. E eu estava pronta pra arrasar. Inglês afiadíssimo. Abracei minha amiga Luciana e começamos a cantá-la a plenos pulmões, curtindo o momento. Aquilo chamou a atenção de Maria.
Veja bem, aquela era A música de todo mundo na época. Nada mais natural que fosse também A música de Maria. E Maria também sabia a letra. Se juntou a nós, ela e sua Entidade. Ela abraçada a mim, sua Entidade apoiada em meu ombro. Terminou a música. Maria se foi, levou a Entidade... Mas deixou um filhote da dita-cuja empoleirado em meu ombro. Agora eu tinha minha própria Entidade. Tinha que exorcizá-la. Mas como?! Solução da minha amiga: Um copo de guaraná jogado estrategicamente por sobre a minha roupa. Antes melada do que fedida. E adeus Entidade.
Maria não teve a mesma sorte. Anos depois um amigo em comum a encontrou na feira. Tinha se juntado a um convento e virado freira. A Entidade ainda a acompanhava. Olha... Só por Deus mesmo!
Maria estudava comigo. Não éramos muito chegadas, mas conversávamos de vez em quando. Nunca tive coragem de falar a verdade na cara dela. Ela já chegava à aula fedida, cheirando suor, mesmo quando estava com o cabelo molhado, o que provava que tinha acabado de sair do banho.
Mas não era qualquer cheiro não, meu povo. Era O CHEIRO. Cebola com um cheiro de passado inexplicável. Praticamente uma entidade que assombrava Maria. Aonde Maria ia a Entidade a acompanhava, fazendo com que todos ao seu redor torcessem o nariz e ficassem respirando pela boca. Um terror.
Nessa época era moda comparecer às domingueiras toda semana. Eu sabia todos os passinhos, já tinha meus paqueras regulares. Ansiava pelos domingos.
Foi quando o The Cure lançou a música "Friday I'm in love". Virou febre! Considerava aquela A minha música (apesar de não entender o que a letra dizia). Tinha que aprender a letra e arrasar na próxima domingueira. Cantar a letra aos berros, impressionar os paqueras e os amigos com o meu inglês afiado.
Passamos - eu e minha amiga Luciana - a semana inteira decorando a letra. Domingo chegou, e lá fomos nós, toda lampeiras prontas para a hora do show. Ia ser um arraso!
Dançamos todas as músicas, acertamos todos os passos. Ah! Naquele domingo não tinha pra ninguém! Estávamos impossíveis! Maria estava lá também, e como sempre, a Entidade a acompanhava. Aquele dia a Entidade estava inspirada. Dava pra sentir o fedor há metros de distância. Pobre Maria...
E começou a música. Minha música. A MÚSICA. E eu estava pronta pra arrasar. Inglês afiadíssimo. Abracei minha amiga Luciana e começamos a cantá-la a plenos pulmões, curtindo o momento. Aquilo chamou a atenção de Maria.
Veja bem, aquela era A música de todo mundo na época. Nada mais natural que fosse também A música de Maria. E Maria também sabia a letra. Se juntou a nós, ela e sua Entidade. Ela abraçada a mim, sua Entidade apoiada em meu ombro. Terminou a música. Maria se foi, levou a Entidade... Mas deixou um filhote da dita-cuja empoleirado em meu ombro. Agora eu tinha minha própria Entidade. Tinha que exorcizá-la. Mas como?! Solução da minha amiga: Um copo de guaraná jogado estrategicamente por sobre a minha roupa. Antes melada do que fedida. E adeus Entidade.
Maria não teve a mesma sorte. Anos depois um amigo em comum a encontrou na feira. Tinha se juntado a um convento e virado freira. A Entidade ainda a acompanhava. Olha... Só por Deus mesmo!
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Dona Irene Sargentão.
Ninguém pode prever a reação durante um assalto. Sempre tive certeza que a minha reação seria "trocar uma ideia" com o assaltante, e convencê-lo que me roubar não era o melhor negócio do mundo. Pois bem. Na única vez em que fui assaltada, ao perceber a arma apontada para minha cabeça, minha reação foi parar de ouvir o que o ladrão dizia... Pra mim todas as palavras soavam como Blábláblá... Minha amiga que me acompanhava no dia que apertou a tecla SAP do ladrão e traduziu o seu desejo: A bolsa!
Ao entregar a bolsa, outra surpresa. Quando o dito cujo apertou o cano contra a minha fonte, minha reação foi vexaminosa... Quase fiz xixi na calça. E minha amiga, já experiente na matéria, era quem argumentava com o assaltante: "Ah! Deixa os documentos pelo menos!" E eu muda.
Edu foi diferente. Ao perceber o assalto, ainda na adolescência, correu esconder o relógio. O assaltante poderia ter sido enganado se o amigo que o acompanhava não tivesse dado com a língua nos dentes: "Eita Edu... Nem adianta esconder... Ele já viu seu relógio!" Não tinha visto. Mas levou! A pergunta que fica é: Afinal, de quem era o amigo? (risos)
Mas a melhor foi da minha mãe. Antes me deixe discorrer um pouco sobre sua personalidade:
Se formou professora de português. Depois diretora de escola até a aposentadoria. Era dessas diretoras que até o mais encapetado da escola tinha medo. Uma olhada e ela já colocava a molecada no lugar. Era conhecida como Sargentão.
Após a aposentadoria, resolveu se mudar e tentar a vida no interior. Vendeu a casa. Arrumou tudo.
A Áurea e a Dri tinham um tanque com quatro tartarugas. Elas eram pequenininhas e lindas quando foram compradas. O tempo passou e elas se tornaram quatro monstros que precisavam de um aquário tamanho família pra comportá-las. E fediam! Fediam muito! O tanque tinha que ser lavado todo dia. Sobrava pra Dona Irene. Todo dia às 7 horas da manhã lá estava Dona Irene, cuidando das suas tartarugas na calçada.
E foi na calçada, no seu último dia na Urupema 36 que os meliantes a abordaram. Arma em punho: "Vamu entra tia!"
Mas eles não sabiam que estavam falando com Dona Irene Sargentão. Que entrar, que nada!! Minhas filhas estão dormindo lá dentro!
Ela apontou a mangueira pra eles e começou a gritar. Eles corrreram. Claro! Quer coisa mais aterrorizante do que uma Sra. desvairada, armada com uma mangueira e gritando?! Armada E perigosa! Tome-lhe jato de água gelada na cara pra ver o que é bom! Dona Irene Sargentão. É assim que se faz!
Ao entregar a bolsa, outra surpresa. Quando o dito cujo apertou o cano contra a minha fonte, minha reação foi vexaminosa... Quase fiz xixi na calça. E minha amiga, já experiente na matéria, era quem argumentava com o assaltante: "Ah! Deixa os documentos pelo menos!" E eu muda.
Edu foi diferente. Ao perceber o assalto, ainda na adolescência, correu esconder o relógio. O assaltante poderia ter sido enganado se o amigo que o acompanhava não tivesse dado com a língua nos dentes: "Eita Edu... Nem adianta esconder... Ele já viu seu relógio!" Não tinha visto. Mas levou! A pergunta que fica é: Afinal, de quem era o amigo? (risos)
Mas a melhor foi da minha mãe. Antes me deixe discorrer um pouco sobre sua personalidade:
Se formou professora de português. Depois diretora de escola até a aposentadoria. Era dessas diretoras que até o mais encapetado da escola tinha medo. Uma olhada e ela já colocava a molecada no lugar. Era conhecida como Sargentão.
Após a aposentadoria, resolveu se mudar e tentar a vida no interior. Vendeu a casa. Arrumou tudo.
A Áurea e a Dri tinham um tanque com quatro tartarugas. Elas eram pequenininhas e lindas quando foram compradas. O tempo passou e elas se tornaram quatro monstros que precisavam de um aquário tamanho família pra comportá-las. E fediam! Fediam muito! O tanque tinha que ser lavado todo dia. Sobrava pra Dona Irene. Todo dia às 7 horas da manhã lá estava Dona Irene, cuidando das suas tartarugas na calçada.
E foi na calçada, no seu último dia na Urupema 36 que os meliantes a abordaram. Arma em punho: "Vamu entra tia!"
Mas eles não sabiam que estavam falando com Dona Irene Sargentão. Que entrar, que nada!! Minhas filhas estão dormindo lá dentro!
Ela apontou a mangueira pra eles e começou a gritar. Eles corrreram. Claro! Quer coisa mais aterrorizante do que uma Sra. desvairada, armada com uma mangueira e gritando?! Armada E perigosa! Tome-lhe jato de água gelada na cara pra ver o que é bom! Dona Irene Sargentão. É assim que se faz!
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Educação Muito Mais que Especial
Segue aqui, na íntegra o texto que foi pro Jornal Impresso no dia 1 de abril e pro site no dia 5 de abril de 2010.
A porta branca decorada com mãozinhas coloridas feitas a guache se abre. Lucas Marchesini Milena caminha hesitante, o olhar sem fixar ponto específico. Veste bermuda azul-marinho e camiseta branca do uniforme da escola. Nos pés, em vez de tênis, o jovem de 14 anos usa um sapato tipo crocs de plástico azul. Apesar de não olhar diretamente para mim, Lucas vem em minha direção e senta-se na cadeira de plástico ao lado. Todos na sala começam a rir, e eu acompanho.
- Mas esse Lucas é um danadinho mesmo, ele gostou de você!
Alba Regina Marchesini Milena é mãe de Lucas e está sentada ao meu lado também. Olho para o garoto e logo sai o cumprimento:
- Oi!
Ele, porém, não responde. Sequer direciona o olhar para mim. O comportamento não é falta de educação: Lucas é autista e não fala. Estuda no Núcleo CrerSer, em São Bernardo, especializado em atender crianças, jovens e adultos com déficits intelectuais dos mais variados, entre eles o autismo. Alba e o marido, Eduardo Martiliano Milena, pagam mensalmente R$ 740 pela educação do filho. Apenas Eduardo trabalha, prestando serviços de consultoria.
- Minha profissão é ser mãe do Lucas.
Questões financeiras - Alba e Eduardo estão “apertados” financeiramente, pois o filho também depende de outros tratamentos de saúde, além da educação especializada. O autismo é uma síndrome caracterizada por desvios de comunicação, atenção e imaginação. É mais frequente em meninos do que em meninas, e os primeiros indícios ocorrem antes dos três anos de idade. Os autistas têm dificuldades de interagir com as pessoas, possuem comportamentos estereotipados, obsessão por partes de objetos, inflexibilidade em quebrar rotinas, problemas na dicção, ausência ou pouca expressão facial e podem ser agressivos. (Fonte: http://www.brasilescola.com)
No Estado de São Paulo, há determinação da Justiça, datada dos anos 2000, de que o poder público deve garantir bolsa de estudos e tratamento para autistas. A Secretaria de Estado da Educação tem credenciadas mais de 30 entidades educacionais especializadas, nas quais atende cerca de 350 pessoas com autismo em grau mais elevado. Em São Bernardo há quatro delas.
Alba ficou sabendo da sentença que favorece o filho na escola em que ele estuda. No entanto, tenta há quase um ano garantir o que é seu por direito. É o que ela me conta antes de Lucas vir para a sala em que estamos, a fim de posar para a sessão de fotos que ilustrará a matéria.
- Quando entrei com o pedido na Secretaria de Educação, a resposta veio em torno de 20 dias, já encaminhando o Lucas para uma escola que não tínhamos escolhido. O Estado manda todos os estudantes do ABCD para essa escola.
Alba refere-se à GAPI (Escola de Educação Especial de Ensino Infantil e Fundamental), localizada em São Bernardo.
Questões de adaptação - Mas por que a mãe não quer que Lucas vá para a GAPI? É fácil imaginar: o jovem estuda há mais de um ano na mesma escola. E autistas têm problemas de adaptação. Lucas apresentou alterações recentes quando mudou de casa com a família, e chegou a ter convulsões.
- No começo deste ano letivo, ele também teve dificuldades para se adaptar aos novos professores. Ele ficava agitado, não queria vir para a aula. Mas as professoras daqui têm especialização na área e sabem lidar com esses casos. Agora ele está mais tranquilo.
A questão da adaptação seria realmente um problema? Para tirar a prova, resolvi ligar para a GAPI e marcar uma visita. Quem me recebeu, com um sorriso e cheia de pulseiras, brincos e colares balançantes, foi a diretora clínica da instituição, Gilda Pena de Rezende. As escolas se parecem. Apesar da GAPI ser maior, em ambas há dois professores por sala de aula para cerca de oito alunos, e todos têm especialização na área.
Gilda faz questão de enfatizar seu currículo: é neuropsicóloga e já trabalhou no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Foi pioneira na educação especial em São Bernardo. Diz que o Estado a escolheu pela qualidade da instituição que gere. Pergunto, então, se acha que os autistas teriam dificuldades de adaptação ali. A resposta me surpreende:
- Sim, eles teriam, até porque é uma característica da síndrome. Pais já me procuraram dizendo que adoraram a minha escola, mas que não querem tirar seus filhos, já adaptados, do local onde estudam. Eu digo que tenho certeza de que eles se adaptariam aqui também, mas claro que isso leva tempo.
Alba, profissão mãe do Lucas, não está disposta a isso.
- Quero manter meu filho aqui. Imagina a dificuldade para mudar o Lucas de escola? Vou entrar na Justiça para garantir o direito dele de estudar no lugar que escolhi.
Alba me lembra uma leoa, capaz de fazer tudo por sua cria. Pode parecer clichê, mas é essa a imagem que me vem à mente. Por estar disposta a tudo, é possível que a mãe consiga garantir um direito previsto em determinação judicial, mas não sem muita luta.
A última questão - Lucas assobia. Pega a tinta guache amarela e colore uma borboleta com a ajuda de uma professora. Estala a língua. Mesmo sem se comunicar, está feliz. Para que, então, tirá-lo dali?
Fonte: Jornal ABCD Maior
A Camila conseguiu qua a matéria fosse colocada da forma como já tínhamos visto antes por aqui! Adorei!
Graças a corrente que fizemos no twitter e por e-mail, a matéria alcançou no dia 5 de abril o patamar da "mais visitada" no setor de "Cidades".
Muito obrigada a todos que ajudaram, obrigada à Camila por ter escrito a matéria de forma tão linda, a Adriele por ter me apresentado a Camila e obrigada a Tata, que formatou toda a matéria para mandar por e-mail!! =)
EDUCAÇÃO MUITO MAIS QUE ESPECIAL
Por: Camila Galvez (camila@abcdmaior.com.br)
A luta de uma mãe para obter bolsa de estudos para o filho autista na escola onde ele já está adaptado
A luta de uma mãe para obter bolsa de estudos para o filho autista na escola onde ele já está adaptado
A porta branca decorada com mãozinhas coloridas feitas a guache se abre. Lucas Marchesini Milena caminha hesitante, o olhar sem fixar ponto específico. Veste bermuda azul-marinho e camiseta branca do uniforme da escola. Nos pés, em vez de tênis, o jovem de 14 anos usa um sapato tipo crocs de plástico azul. Apesar de não olhar diretamente para mim, Lucas vem em minha direção e senta-se na cadeira de plástico ao lado. Todos na sala começam a rir, e eu acompanho.- Mas esse Lucas é um danadinho mesmo, ele gostou de você!
Alba Regina Marchesini Milena é mãe de Lucas e está sentada ao meu lado também. Olho para o garoto e logo sai o cumprimento:
- Oi!
Ele, porém, não responde. Sequer direciona o olhar para mim. O comportamento não é falta de educação: Lucas é autista e não fala. Estuda no Núcleo CrerSer, em São Bernardo, especializado em atender crianças, jovens e adultos com déficits intelectuais dos mais variados, entre eles o autismo. Alba e o marido, Eduardo Martiliano Milena, pagam mensalmente R$ 740 pela educação do filho. Apenas Eduardo trabalha, prestando serviços de consultoria.
- Minha profissão é ser mãe do Lucas.
Questões financeiras - Alba e Eduardo estão “apertados” financeiramente, pois o filho também depende de outros tratamentos de saúde, além da educação especializada. O autismo é uma síndrome caracterizada por desvios de comunicação, atenção e imaginação. É mais frequente em meninos do que em meninas, e os primeiros indícios ocorrem antes dos três anos de idade. Os autistas têm dificuldades de interagir com as pessoas, possuem comportamentos estereotipados, obsessão por partes de objetos, inflexibilidade em quebrar rotinas, problemas na dicção, ausência ou pouca expressão facial e podem ser agressivos. (Fonte: http://www.brasilescola.com)
No Estado de São Paulo, há determinação da Justiça, datada dos anos 2000, de que o poder público deve garantir bolsa de estudos e tratamento para autistas. A Secretaria de Estado da Educação tem credenciadas mais de 30 entidades educacionais especializadas, nas quais atende cerca de 350 pessoas com autismo em grau mais elevado. Em São Bernardo há quatro delas.
Alba ficou sabendo da sentença que favorece o filho na escola em que ele estuda. No entanto, tenta há quase um ano garantir o que é seu por direito. É o que ela me conta antes de Lucas vir para a sala em que estamos, a fim de posar para a sessão de fotos que ilustrará a matéria.
- Quando entrei com o pedido na Secretaria de Educação, a resposta veio em torno de 20 dias, já encaminhando o Lucas para uma escola que não tínhamos escolhido. O Estado manda todos os estudantes do ABCD para essa escola.
Alba refere-se à GAPI (Escola de Educação Especial de Ensino Infantil e Fundamental), localizada em São Bernardo.
Questões de adaptação - Mas por que a mãe não quer que Lucas vá para a GAPI? É fácil imaginar: o jovem estuda há mais de um ano na mesma escola. E autistas têm problemas de adaptação. Lucas apresentou alterações recentes quando mudou de casa com a família, e chegou a ter convulsões.
- No começo deste ano letivo, ele também teve dificuldades para se adaptar aos novos professores. Ele ficava agitado, não queria vir para a aula. Mas as professoras daqui têm especialização na área e sabem lidar com esses casos. Agora ele está mais tranquilo.
A questão da adaptação seria realmente um problema? Para tirar a prova, resolvi ligar para a GAPI e marcar uma visita. Quem me recebeu, com um sorriso e cheia de pulseiras, brincos e colares balançantes, foi a diretora clínica da instituição, Gilda Pena de Rezende. As escolas se parecem. Apesar da GAPI ser maior, em ambas há dois professores por sala de aula para cerca de oito alunos, e todos têm especialização na área.
Gilda faz questão de enfatizar seu currículo: é neuropsicóloga e já trabalhou no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Foi pioneira na educação especial em São Bernardo. Diz que o Estado a escolheu pela qualidade da instituição que gere. Pergunto, então, se acha que os autistas teriam dificuldades de adaptação ali. A resposta me surpreende:
- Sim, eles teriam, até porque é uma característica da síndrome. Pais já me procuraram dizendo que adoraram a minha escola, mas que não querem tirar seus filhos, já adaptados, do local onde estudam. Eu digo que tenho certeza de que eles se adaptariam aqui também, mas claro que isso leva tempo.
Alba, profissão mãe do Lucas, não está disposta a isso.
- Quero manter meu filho aqui. Imagina a dificuldade para mudar o Lucas de escola? Vou entrar na Justiça para garantir o direito dele de estudar no lugar que escolhi.
Alba me lembra uma leoa, capaz de fazer tudo por sua cria. Pode parecer clichê, mas é essa a imagem que me vem à mente. Por estar disposta a tudo, é possível que a mãe consiga garantir um direito previsto em determinação judicial, mas não sem muita luta.
A última questão - Lucas assobia. Pega a tinta guache amarela e colore uma borboleta com a ajuda de uma professora. Estala a língua. Mesmo sem se comunicar, está feliz. Para que, então, tirá-lo dali?
Fonte: Jornal ABCD Maior
terça-feira, 30 de março de 2010
O Politicamente Incorreto dos Anos 80.
Crescer nos anos 80 já devia dar a qualquer cidadão uma medalha de honra ao mérito. Se você participou e formou seu caráter nessa época, parabéns por ser uma pessoa normal e sã. Se você tem um parafuso a menos, é desviado de alguma maneira não se preocupe. Alegue insanidade dos anos 80 que tá tudo certo.
Passamos desde o cigarrinho de chocolate Pan, que todos conhecíamos e adorávamos, quer maneira melhor de incutir o vício na vida de uma criança do que imitar o papai e a mamãe fumando? Coisa Linda![1] Até os produtos sem data de validade nas prateleiras, intoxicação alimentar era a coisa mais comum de se ver. E quem não se lembra da época da inflação?! Em que a dona do mercadinho vivia armada com a pistola de alteração de preços, comprava-se por um preço pela manhã e o preço já era outro no final do dia. Coisa linda![2]
Mas não é só dessas barbaridades que eu vim até aqui falar hoje. Com a aproximação da Páscoa me veio à memória uma história familiar regada à morbidez, falta de noção e a alegria contagiante que era a reunião familiar naquela época. Coisa linda![3]
Eram três famílias, a da minha mãe, da irmã e do irmão dela. Quatro contando a Vovó e o Vovô. Um total de 11 netos. Dos quais, hoje em dia, eu só falo com 4, e por coincidência ou não, são todas minhas irmãs... Mas vamos ao que interessa:
Páscoa. Celebração da Ressurreição de Jesus Cristo. Dia de orgia "chocolatíssea" para as 11 crianças em questão. Os adultos se reúnem. O que fazer de prato principal?
Gostaria de ter estado lá nesse dia para poder parabenizar o fanfarrão que teve a ideia genial. Indaguei a minha mãe e ela disse que deve ter partido do meu avô. Já que adorava a iguaria. Estão preparados para saber qual foi o cardápio daquela Páscoa dos anos 80? COELHO! Sim... Você leu bem. COELHO. Na Páscoa. Não precisa nem falar que nenhuma criança comeu, né?! Coisa linda![4]
Mas esperem um pouco. A história não acaba aqui. Me dê mais cinco minutos do seu tempo que eu te convenço da falta de sanidade que imperava nessa época.
Contei para o Edu minha Páscoa Insana nos idos anos 80. Ele respondeu sem demora: "Isso não é nada! Minha mãe cozinhou meu coelho de estimação e o da Rô na Páscoa, só porque eles não paravam de dar cria." Coisa linda![5]
Claro que corri ligar pra sogra pra confirmar a história. Ela com seu bom humor característico respondeu: "Nãããoooo! Não foi assim!" Ufa! Vocês podem pensar, o Edu exagerou na lembrança! Os coelhinhos morreram, na verdade, de causas naturais.
Não. Insanidade dos anos 80, lembram? Ela seguiu sua explicação: "Nós fizemos os coelhos num dia qualquer. Mas eu não tive coragem de comer..." Coisa Linda![6]
Passamos desde o cigarrinho de chocolate Pan, que todos conhecíamos e adorávamos, quer maneira melhor de incutir o vício na vida de uma criança do que imitar o papai e a mamãe fumando? Coisa Linda![1] Até os produtos sem data de validade nas prateleiras, intoxicação alimentar era a coisa mais comum de se ver. E quem não se lembra da época da inflação?! Em que a dona do mercadinho vivia armada com a pistola de alteração de preços, comprava-se por um preço pela manhã e o preço já era outro no final do dia. Coisa linda![2]
Mas não é só dessas barbaridades que eu vim até aqui falar hoje. Com a aproximação da Páscoa me veio à memória uma história familiar regada à morbidez, falta de noção e a alegria contagiante que era a reunião familiar naquela época. Coisa linda![3]
Eram três famílias, a da minha mãe, da irmã e do irmão dela. Quatro contando a Vovó e o Vovô. Um total de 11 netos. Dos quais, hoje em dia, eu só falo com 4, e por coincidência ou não, são todas minhas irmãs... Mas vamos ao que interessa:
Páscoa. Celebração da Ressurreição de Jesus Cristo. Dia de orgia "chocolatíssea" para as 11 crianças em questão. Os adultos se reúnem. O que fazer de prato principal?
Gostaria de ter estado lá nesse dia para poder parabenizar o fanfarrão que teve a ideia genial. Indaguei a minha mãe e ela disse que deve ter partido do meu avô. Já que adorava a iguaria. Estão preparados para saber qual foi o cardápio daquela Páscoa dos anos 80? COELHO! Sim... Você leu bem. COELHO. Na Páscoa. Não precisa nem falar que nenhuma criança comeu, né?! Coisa linda![4]
Mas esperem um pouco. A história não acaba aqui. Me dê mais cinco minutos do seu tempo que eu te convenço da falta de sanidade que imperava nessa época.
Contei para o Edu minha Páscoa Insana nos idos anos 80. Ele respondeu sem demora: "Isso não é nada! Minha mãe cozinhou meu coelho de estimação e o da Rô na Páscoa, só porque eles não paravam de dar cria." Coisa linda![5]
Claro que corri ligar pra sogra pra confirmar a história. Ela com seu bom humor característico respondeu: "Nãããoooo! Não foi assim!" Ufa! Vocês podem pensar, o Edu exagerou na lembrança! Os coelhinhos morreram, na verdade, de causas naturais.
Não. Insanidade dos anos 80, lembram? Ela seguiu sua explicação: "Nós fizemos os coelhos num dia qualquer. Mas eu não tive coragem de comer..." Coisa Linda![6]
quinta-feira, 25 de março de 2010
Frases Desconexas.
Ontem liguei para uma pessoa (não vou revelar quem, vai que ela entra no blog e se reconhece) e ao ouvir minha voz, ela soltou:
"Menina! Você não morre mais! Acabei de falar de você!"
O papo continuou e eu fiquei pensando na frase do início da conversa. E a coisa foi crescendo. Uma revolta se avolumando. Como assim eu não morro mais? Que pretensão! Ela é Deus por um acaso? O Anjo da Morte? Dona do destino?
De onde nasceu essa frase? Por que associar a alegria de ouvir (ou ver) uma pessoa com a morte (0u não) da dita cuja? Será que essa frase é o resultado de um telefone sem-fio gigante, que vem correndo durante os anos? Sabe?! Como a história da batatinha que não esparrama, espalha a rama. Ou do cuspido e escarrado (eca) que na verdade é esculpido e encarnado.
Como seria a frase, lá no começo... "Menina! Você corre demais! Acabei de falar de você!" ou "Menina! Não chove mais! Acabei de falar de você!"... Mistério...
Enquanto ela continuava com a ladainha, eu me imaginava cobrando a promessa. "Menina, você não morre mais!" Ai dela se eu morrer... Volto do além túmulo só pra puxar o pé!
E não diga que eu não avisei!
"Menina! Você não morre mais! Acabei de falar de você!"
O papo continuou e eu fiquei pensando na frase do início da conversa. E a coisa foi crescendo. Uma revolta se avolumando. Como assim eu não morro mais? Que pretensão! Ela é Deus por um acaso? O Anjo da Morte? Dona do destino?
De onde nasceu essa frase? Por que associar a alegria de ouvir (ou ver) uma pessoa com a morte (0u não) da dita cuja? Será que essa frase é o resultado de um telefone sem-fio gigante, que vem correndo durante os anos? Sabe?! Como a história da batatinha que não esparrama, espalha a rama. Ou do cuspido e escarrado (eca) que na verdade é esculpido e encarnado.
Como seria a frase, lá no começo... "Menina! Você corre demais! Acabei de falar de você!" ou "Menina! Não chove mais! Acabei de falar de você!"... Mistério...
Enquanto ela continuava com a ladainha, eu me imaginava cobrando a promessa. "Menina, você não morre mais!" Ai dela se eu morrer... Volto do além túmulo só pra puxar o pé!
E não diga que eu não avisei!
quarta-feira, 24 de março de 2010
Vamos fazer um Abril azul em prol do Autismo!

Estava eu, navegando pela net quando encontrei um blog de uma amiga minha virtual. Entrei, me interessei e vi essa campanha que repasso pra vocês agora:
Copiei aqui as palavras dela (tudo bem Simone?!), bora ajudar?!
Texto retirado do blog do Gábi:
Coisas que vc pode fazer para ajudar na conscientização do autismo:
1 - Usar o pin azul com o desenho de uma peça de quebra cabeça durante todo o mês de abril e qdo as pessoas perguntarem explicar sobre o autismo.
2- Mudar as fotos do orkut e perfil no twitter ou facebook com a peça azul do quebra ou com o logo da campanha light it up: Blue e repassar para amigos.
3- Digitar todos os seus emails em AZUL e colocar o logo Light It Up Blue na assinatura durante todo o mês de Abril.
4- No dia 2 de Abril vestir uma peça de roupa azul, camiseta ou calça e pedir pra seus amigos, familiares ou colegas de trabalho pra vestir também e tirar fotos e repassá-las. Se possível colocá-las nas galerias do Flickr, orkut, twitter, facebook.
5- Cozinhar um bolo com o desenho da peça de quebra-cabeça Azul, preferência todo em azul e levar para escola, trabalho e dividir com seus amigos explicando o motivo.
6- Igrejas, Congregações, avisar aos responsáveis para que falem do dia em seus Cultos, Missas e Celebrações, etc.
Existem várias maneiras de participar! O importante é fazermos nossa parte para divulgar o máximo para conscientização e um futuro melhor para os nossos pequeninos!
Amei a iniciativa e estou dentro! E vale lembrar que a matéria que a Camila postou aqui (não sei se dessa mesma forma) sai no Jornal ABCD Maior no dia 2 de abril!!
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